segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Quem acredita sempre alcança - por Bruno César Maciel Braga (Palmas/TO)



Não sei bem como começar esse texto. Temo não ser capaz de usar as palavras certas para sintetizar tudo que quero dizer. Espero que elas me socorram nessa árdua tarefa.
Pois bem. Quero falar de um amigo e de sua fascinante história.
De família humilde, vindo do Estado do Piauí, enfrentou grandes dificuldades na infância. Desde cedo, por volta dos 12 anos, começou a trabalhar. A necessidade não permitia que o tempo livre fosse destinado à diversão, o que seria próprio de sua idade.
Fez um pouco de tudo. Vendia pequenas coisas na feira, vendia jornais. Já foi auxiliar de pedreiro, jardineiro e até flanelinha. Vivendo muito próximo a um cemitério, começou a trabalhar limpando os túmulos e ajudando em tudo o que ali era possível, a fim de ganhar algum dinheiro que pudesse ajudar a família.
A situação era tão difícil que este meu amigo não tinha um colchão para dormir. Às vezes o leito era um tapete; outras, a espuma de um sofá velho sem forro. Chegou muitas vezes a esperar, do lado de fora de mercadinhos, aguardando a hora em que as frutas com alguma imperfeição eram descartadas, por serem consideradas “impróprias” para o consumo. Dali retirava muitas vezes o que comer.
Mas nas raras ocasiões em que o dinheiro permitia, comprava um livro. Desde jovem gostava de ler e estudar. Naquela época ele não tinha noção de quão longe o estudo o levaria.
Morando ao lado de um ponto de venda de drogas, seus pequenos amigos de vizinhança tornaram-se os principais traficantes do Estado. Mas esse não era o destino que pensava para si, nem aquele que Deus havia guardado para ele.
Mesmo diante de tantos obstáculos e sempre trabalhando, com muito esforço preparou-se para o vestibular. Mas antes mesmo da prova, um fato poderia ter mudado completamente seu destino. Ofereceram-lhe um emprego de gari, o qual ajudaria bastante no sustento da família. No entanto, obstinado pelos estudos, decidiu prestar vestibular e lutar por seu sonho.
A gana de vencer e a fé em Deus permitiu que a primeira de muitas vitórias fosse alcançada: a aprovação no vestibular. Para o curso de letras, na Universidade Federal e para o de Direito, na Universidade Estadual. Esse fato foi um marco na comunidade, que nunca havia visto um feito desta natureza: um aluno de escola pública, sem recursos, vindo de uma família iletrada, aprovado em cursos superiores de Universidades Públicas.
Grande orgulho para o pai, que teve a alegria de ver o início do sucesso do filho, pois pouco tempo depois faleceu. É... As coisas nunca foram fáceis para o meu amigo. Mas esse era apenas o começo. A repercussão de sua aprovação no vestibular lhe apresentou uma nova profissão. Passou a dar aulas a três filhos de uma senhora conhecida, até que eles fizessem o vestibular. Acompanhou-os por vários anos, até a aprovação dos três, um inclusive em medicina.
As aulas permitiam a compra de mais livros e isso propiciava mais estudo.
Mas a vida ainda era muito difícil. Casou muito cedo, aos 21 anos. O dinheiro que sustentava a vida e a pequena casa alugada era proveniente apenas de um estágio em direito e da atividade esporádica de professor. Ter o básico era um luxo.
Ainda na faculdade, superando mais uma vez todos os prognósticos, foi aprovado em concurso público para técnico do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). E daí não parou mais. Em seguida, veio a aprovação para o cargo de Analista do Supremo Tribunal Federal (STF), local em que já começou a mostrar seu valor, exercendo importante posição de chefia e inclusive chegou a dar aulas para assessores de ministros.
Em seguida, logrou aprovação para Procurador Federal, carreira integrante da Advocacia Geral da União (AGU), assumindo o cargo em junho de 2011, em Palmas/TO, onde também passou a ensinar Direito Constitucional na Universidade Estadual do Tocantins (UNITINS). Já no final daquele ano foi eleito o melhor professor da Universidade.
Não fosse o bastante, no final de 2012 conseguiu alcançar seu sonho: a aprovação para o cargo de Juiz Federal. Que perseverança!
Aquele menino que começou a trabalhar tão cedo, que perdeu o pai tão cedo e que sofreu tão cedo, também alcançou o sucesso muito cedo. Com 30 anos, toma posse como Juiz Federal no dia 22 de fevereiro de 2013. E para completar o sonho, volta para o seu Estado, já que sua primeira lotação será Picos, cidade do interior do Piauí.
E ainda há um detalhe incrível. Na época em que trabalhava como jardineiro, chegou a limpar e cortar a grama do Fórum no Piauí. E agora retornará àquele Estado como membro do Poder Judiciário, na qualidade de Juiz Federal, mostrando que não devemos nunca desistir dos nossos sonhos.
Essa história lembra-me uma música do Renato Russo, chamada Mais uma vez, principalmente no trecho que diz: “Nunca deixe que lhe digam que não vale a pena/Acreditar no sonho que se tem/Ou que seus planos nunca vão dar certo/Ou que você nunca vai ser alguém (...) Quem acredita sempre alcança”.
Mas não se trata aqui apenas da narrativa de um sucesso profissional, mas também é preciso falar da personalidade desse meu amigo. Seu sucesso é fruto da grandeza do seu caráter. As intempéries da vida, as mãos calejadas dos serviços braçais, ficaram no passado. Sua alegria, simplicidade, simpatia, pureza, humildade e integridade moral, essas são as marcas do presente.
Seu amor pelos livros também é uma marca registrada. Seu acervo, apenas de obras jurídicas, é composto por cerca de 500 livros, os quais sempre servem como fonte de consulta para os amigos, colegas e alunos.
Em Palmas, onde cheguei em setembro de 2012, tive a feliz oportunidade de conhecê-lo e rapidamente reconhecer nele um grande amigo, já que, na célebre frase de Vinícius de Moraes: “A gente não faz amigo, reconhece-os”. Amigo leal, fraterno, sempre à disposição para ajudar e fazendo questão de abrir portas para os outros. Por meio de seu incentivo e ajuda, neste ano também realizarei um sonho antigo, o de lecionar.
Por tudo isso, para além de amigo, tornei-me seu admirador.
Seu nome, Clécio Alves de Araújo.
Que Deus permita a você continuar a ser uma luz no mundo, para que não pare de fazer o bem e de conquistar as pessoas que têm a oportunidade de conhecê-lo.
Como não poderia deixar de ser, ao lado de todo grande homem, existe uma grande mulher. E a Socorrinho é o esteio que sempre esteve ao seu lado, nas lutas e nas vitórias. Pessoa igualmente simples, simpática e amorosa. Rogo a Deus que conserve a união desse casal.
Sua trajetória é tão bonita, que me faz recordar o filme À procura da felicidade, que conta a história, baseada em fatos reais, de Chris Gardner, interpretado por Will Smith.
E falando em felicidade, aproveito o gancho para encerrar com Clarice Lispector: “A felicidade aparece para aqueles que choram. Para aqueles que se machucam. Para aqueles que buscam e tentam sempre”.
Enfim, que este breve texto sirva de agradecimento pelo aprendizado que foi conhecer você e sua história, pela alegria da sua companhia, pelo privilégio da sua amizade. E que esta dure por toda nossa vida.
Muito obrigado, amigo! Fica com Deus.

“Se tens fé cumpre saberes que tudo é possível àquele que a tem”.

5 comentários:

  1. Parabéns , por colocar um texto tão lindo , serve de lição para muito que ," quem acredita sempre alcança" ( Renato Russo ) .

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  2. Realmente admirável e inspiradora história. Parabéns Prof. Clécio, que Deus continue a iluminar-te. Parabéns Bruno César, ótimo texto! (Mábia Curcino, Aluna da Unitins)

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  3. Uma pessoa fora de série,espitituoso, muitas vezsaguentou meu mau humor em drrotas do flamengo!!! Pois é apesar de anto estudo tanto mérito, nasceu vascaíno!!! rsrsrs Merece tudo de bom e melhor em sua vida DEUS ABENÇOE

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  4. Dr. Clécio n é desse mundo . Conhecer um ser humano como ele é um privilégio. Vida longa pra esse homem que é um.a benção para todos que cruzam o seu caminho

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  5. Que história linda e inspiradora 😧😧

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